Anonimato
Lembro remotamente de quando decidi escrever meu primeiro blog anônimo, em meados de 2011, quando decidi criar um pseudônimo pra não descobrirem nunca que era eu por trás das palavras que eram libertas naquele momento, pra ninguém saber as dores que eu sentia e principalmente pra esconder minhas angústias. Era tão duro não ter com quem tratar minhas fraquezas que acabei as convertendo em palavras, as vezes sutis, as vezes em desabafos quaisquer, as vezes em cartas que nunca foram enviadas ou sem destinatário algum foram postadas.
Hoje eu tenho esse espaço e confesso que já apaguei textos bons que fiz, textos que significavam muito pra mim, que tinham partes bem expostas sobre meu interior e que talvez nenhuma outra pessoa tivesse acesso, ou talvez tivesse e não comentasse. Tanto faz, né?!
Sei que os dias são duros, muitas vezes de gritaria e discussão no térreo do meu bloco, de aglomeração nas feiras de periferia em Fortaleza, de polícia na rua vistoriando carros e movimentos de pessoas nas avenidas principais, entretanto existe um eu que muitos de nós as vezes costuma negar por dentro. Um eu que gosta de pensar alto e ao mesmo tempo nós não damos voz à ele e que seria uma boa ideia colocá-lo pra falar, já que as vezes queremos ficar sós e temos nossa própria companhia. Por que não nos escutar? Por que não nos analisarmos? Por que não aproveitar esse momento "único" em que podemos nos descobrir melhor como seres humanos, como sentimento, como únicos no mundo?
Me recordo que, quando escrevia anonimamente, admirava muito a forma com que as palavras se soltavam, como espontaneamente uma pessoa que dentro de mim sempre habitou, se manifestava com asas invisíveis, mas invisíveis aos meus olhos, aos olhos das outras pessoas. Elas existem de alguma forma e é por conta disso que vou usar esse espaço pra em algum momento escrever sobre meus sentimentos. Intitulando ou não, algum sentimento do meu eu interior constará aqui, sem nome, sem destinatário, somente com remetente, a Joice de sempre, que no final talvez não faça tanta diferença pras pessoas, mas que me tornará livre de apertos no peito, agonias, angústias e de arrependimentos de não ter aproveitado aquele momento de êxtase em que eu senti algo tão forte e não tive coragem de pôr pra fora.
Pôr pra fora, esse é o objetivo. A hashtag #dajoiceprafora vai estar no final de cada postagem, pra identificar quando eu simplesmente quis escrever, romanticamente, depressivamente, deprimentemente, raivosamente, ansiosamente... qualquer coisa ligada à minha mente.
Um abraço, querido telespectador.
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